07 novembro, 2007

:: continuação ::

Paixão pelo futebol

Marcelinho está eufórico. Contei sobre a vez que Léo [meu irmão mais velho e padrinho dele] levou-me para ver o Bahia e de como aquilo tinha sido marcante para mim, então uma criança. Tinha falado também sobre as idas com tio Nane [meu outro irmão] e como era bom participar da torcida, empurrando o time com cânticos e gritos. Queria fazê-lo sentir a mesma sensação e, de quebra, formar mais um fanático tricolor. Tudo bem que os tempos são outros e o Bahia freqüenta a Série-C do Campeonato Nacional. Mas, a torcida empolga até os céticos, quem dirá uma criança.

A torcida ocupa praticamente todas as dependências do estádio. Marcelinho e Guilherme encontram-se ao lado de uma Torcida Organizada, sem quaisquer chances de trocarem o lugar. Parece pouco importar-lhes o fato de não poderem se deslocar. Terão que esperar até o intervalo da partida, quando alguns torcedores se deslocam em direção ao bar ou aos banheiros. Tio e sobrinho participam do coro que saúda a entrada do time em campo. Empolgado, o menino cutuca o tio e fala: - Vamos ficar mais ali no meio. Guilherme olha para o centro da Organizada, ele sabe que é muita agitação, mesmo para tamanha euforia de Marcelinho. “Você não vai conseguir assistir ao jogo dali, é muita muvuca. Além do mais, vai ser quase impossível chegarmos lá”. Marcelo aceita sem contestar, apesar de um leve franzir de testa. O jogo é mais importante pra ele, e o tio sabe o que é melhor. Tudo pronto, o juiz autoriza o início da partida.

O apoio da torcida é um fator positivo. Ela é movida pela emoção, pela paixão, e transfere essa energia para dentro de campo, numa tentativa de motivar os jogadores. Fazer com que eles superem suas limitações. De acordo com o fisiologista do Esporte Clube Vitória, Alexandre Dortas, a preparação do atleta, desde as categorias de base, envolve aspectos físicos e psicológicos para que uma partida de futebol seja uma coisa mais tranqüila. “A gente prepara o atleta, mas a superação é uma coisa intrínseca. Depende de cada atleta, pois às vezes um menos condicionado que o outro é capaz de dar muito mais. Ele é capaz de se superar e essa superação com certeza vem com a ajuda da torcida.”, diz Dortas.

A Primeira Divisão é disparada a que consegue atrair maior número de torcedores. No presente ano, com o título já definido a favor do São Paulo Futebol Clube, o público pagante total é de, aproximadamente, 5,5 milhões de pessoas, segundo estatísticas da Confederação Brasileira de Futebol [CBF], quase duas vezes a população de Salvador [2,8 milhões de habitantes]. A arrecadação é de, até o momento, 69,1 milhões de reais. Para se ter uma idéia, 3,37 milhões compareceram aos jogos das duas outras divisões, arrecadando cerca de 28 milhões de reais ou quase duas vezes e meia a menos. Enquanto a Série-A recebe 16,6 mil torcedores e 207,6 mil reais por partida, a Série-B conta com sete mil pessoas e 59 mil reais por jogo. A média de público na Terceira Divisão cai para 3,2 mil e a do dinheiro arrecadado não ultrapassa os 26 mil reais.

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