25 julho, 2006

Olavo Bilac

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

"E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Castro Alves

Trecho do Poema "O Navio Negreiro"

"E existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!..."

Zen...

"[...] A idéia de que a maior parte dos estudantes vai para a universidade só para se educar, sem pensar em notas e conceitos é uma mentira inocente, que a maioria das pessoas prefere não admitir. Uma vez na vida, outra na morte, aparecem alunos que pretendem adquirir conhecimentos, mas a rotina e a natureza mecânica da instituição logo os transformam em seres menos idealistas."
[PIRSIG, Robert M. Zen e a arte da manutenção de motocicletas: uma investigação sobre valores]

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21 julho, 2006

Lição do Cosmos

Vocês já pararam para pensar quanta coisa aconteceu desde o nascimento de Cristo, o ano zero?
Quantas guerras, conquistas, derrotas, descobertas, avanços, atrasos, invenções, revelações, pessoas, nações?
Parem e reflitam um pouco.

Pronto? Posso continuar?

Dois mil e seis anos, setecentos e trinta e dois mil seiscentos e noventa e um dias, dezessete milhões quinhentos e oitenta e quatro mil quinhentos e quarenta e quatro horas, sessenta e três bilhões trezentos e quatro milhões trezentos e cinqüenta mil e quatrocentos segundos.

Sim, mais de 63bilhões de segundos. Muito tempo não é?
Depende, isso é relativo como, aliás, tudo nesse mundo.

A estrela mais próxima de nós, excluindo-se o sol obviamente, está a cerca de 4.3anos-luz de distância, ou seja, algo próximo dos 40trilhões de quilômetros. Assustou?
Ela “pertence” a Constelação do Centauro, sendo apenas mais uma das mais de 100bilhões de estrelas existentes na Via Láctea. No universo existem mais galáxias do que estrelas na nossa galáxia. Apenas para ilustrar, a Galáxia de Andrômeda, nossa vizinha, possui o dobro do tamanho da Via Láctea. E agora?

Vocês devem estar pensando aonde eu quero chegar com tais elucubrações.
Simplesmente, e a palavra é esta mesmo, simplicidade, somos uma ínfima parte da teia cósmica, humildes passageiros de uma pequena nave, flutuando não se sabe pra onde.

Suportará o ego humano tamanha pequenez?
O nosso planeta aguentará tamanho descaso?

Fritjof Capra em um dos seus livros colocou uma citação de Ted Perry, inspirado em um Chefe Seattle, que dizia:

“Isto sabemos.
Todas as coisas estão ligadas
como o sangue
que une uma família...
Tudo o que acontece com a Terra,
acontece com os filhos e filhas da Terra.
O homem não tece a teia da vida;
ele é apenas um fio.
Tudo o que faz à teia,
ele faz a si mesmo.”

Ainda segundo Capra, a maioria dos humanos apresenta uma visão de mundo obsoleta inadequada para lidar com o nosso mundo. Uma mudança radical em nossas percepções de mundo, no nosso pensamento e nos nossos valores se faz necessária.

Estamos interligados, parte de um todo que deve ser preservado para que as futuras gerações possam desfrutá-lo.
Não podemos ser tão egoístas, mesquinhos, indiferentes, gananciosos, porque estaremos sendo para nós mesmos.
Uma flor, uma planta, um animal qualquer, uma pedra, uma célula, a matéria, energia e por aí vai. Tudo está conectado.
...devemos apreender esse novo paradigma, pensar o mundo dessa forma trará benefícios universais.


Guigo F.G.

18 julho, 2006

Irmão de Bule-Bule

Na Semana da Cultura de Camaçari, de 2005, creio eu, encontrei-me com o Grande Bule-Bule para assistir ao "Concerto de Elomar", outro Menestrel.
Ao final do Concerto (e você que diga que é show na frente do "Bode-Véi"), Bule me levou para falar com Elomar e eu fui, falei, abracei e pronto. Uma série de pessoas começou a falar com o cabra, quer dizer "Bode", e resolvi me afastar. Após fotos e mais fotos, Bule conseguiu sair e fomos seguindo. Novamente na rua, Bule pára para conversar com uma moça (muito doce ela, porém sou péssimo para guardar nomes). Na hora de me apresentar a ela, Bule fez referência ao meu distante parentesco com o Elomar:
- É primo de Elomar esse muleque!
Antes de quaisquer suposições, complementei:
- Até que pode ser primo mas é distante. E falando em distância, no que diz respeito ao contato pessoal, a proximidade, se você for comparar, o Bule é meu irmão enquanto ele... é um primo distante.
Bule-Bule deu uma risada gostosa, um abraço e continuamos andando.
Foto: Bule-Bule [ capturada na internet ]

Guigo F.G.

Pau na Tcheca

Vendo o desenrolar do verdadeiro "Grupo da Morte", enquanto meus sobrinhos trocavam tapas e figurinhas da copa, Gana aparece como grata surpresa, os italianos confirmam o favoritismo e
os tchecos decepcionam tomando pau de todo mundo. Corrigindo a injustiça acima, os EUA vieram para participar e foram os únicos que não meteram o pau na Tcheca, talvez por inexperiência ou por não serem ‘chegados’ a esse negócio de futebol. Mostrei aos meus sobrinhos como "bater figurinhas", ensinando-lhes que esse modo era muito mais democrático para repartir suas duplicatas, só não posso ficar agora ensinando americano a gostar de "fazer gol".

Guigo F.G.
A TARDE Esporte Clube [Domingo, 25.06.2006]

13 julho, 2006

Sapatos de Lata...

Um menino de rua, com duas latas de leite sob os pés unidas por um longo fio.
Tenho pena do menino, sobra viva da seleção social.
Cresce a duras penas, não sabe de onde veio, quando vai comer ou aonde vai dormir.
A rua é sua escola, a calçada sua cama e o céu seu cobertor.
Seus “Sapatos de Lata” são ao mesmo tempo brinquedo, brincadeira e sapatos.
Pessoas como nós, sintonizadas com o universo, crentes na interconectividade das coisas, preocupadas com as questões da existência humana, e por vezes nos perdendo nos labirintos do pensamento, sentem-se culpadas por tais desacertos no mundo, mas nos alegramos ao pensar que naquele momento Menino de Rua e "Sapatos de Lata" são apenas um, suas angústias são esquecidas e a criança se mostra por inteiro.
Louvo aqueles que, ao longo da história, buscaram a construção de um mundo melhor, combatendo injustiças e interesses individualistas.
Tenho pena dos indiferentes, avarentos e egoístas...!
Guigo F.G.
A ilustração é de Eduardo Arnold Engel

12 julho, 2006

Postagens em Breve!!!

Guigo F.G.
Fotografia:Sandro Chagas
Edição: Guigo F.G.