14 setembro, 2007

Involução e reerguimento


O Bahia deve entender o seguinte: fui, mas já não sou.
Colocar os pés no chão, sacudir a poeira e recomeçar.

Chegar aos porões do futebol brasileiro, após longa e tortuosa jornada de declínio, é conseqüência da não percepção das mudanças ocorridas no mundo futebolístico. Ou pior, duma tentativa ignóbil, por parte dos dirigentes e conselheiros complacentes, em manterem-se no comando do clube, em prol das benesses de tal posição e à custa do sucateamento do patrimônio e do futebol tricolor.

Apenas a torcida evoluiu nesses últimos (quase) 20 anos. Deu inúmeras provas de lealdade nos momentos mais difíceis e vergonhosos da história do clube e, por “direito” e dever, passou a exigir mudanças na forma de conduzir a nau azul, vermelha e branca.

Planejamento, seriedade e democratização são as bases para o reerguimento do Bahia.

Alguma mudança parece acontecer.
Lentamente os Cardeais dão sinal de amadurecimento.
O que os tricolores esperam, porém, é que não seja mais um paliativo, mais um “pano quente” ou mesmo uma “injeção de sossega” a fim de ludibriar a nação.

Queremos mudanças verdadeiras!

Não podemos perder mais tempo, nem ficar (sempre) a um passo do Vitória.
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Publicado no A TARDE Esporte Clube / Megafone. Segunda-feira, 17 de setembro de 2007.

05 setembro, 2007

O Bar

Vasculhando uns textos do meu velho pai (sim ele escreve) descobri...

O Bar, é o Bar ! ...
Não, o Bar não é somente Bar!
É profusão de sons,
e de cores
e de cheiros
e de gostos!
O Bar é um encontro dos anônimos,
dos sinônimos
e dos antônimos!

O Bar é a sinfônica do acaso,
um caso único de sintonia de luzes,
fumaças, goles, vozes,
tristezas, delírios, aplausos!
O Bar é um caleidoscópio
de vida urbana!
Pedaços de idéias,
pedaços de doutrinas,
pedaços de filosofia
pedaços de consciência.
Imanência, transcendência!

O Bar é um fragmento
e ao mesmo tempo um todo!
O silêncio dos deprimidos,
o alarido dos eufóricos.
A louçania da vida,
a introjeção do sofrer!
Um saco! Um balão!
O Bar é solo, espaço,
subterrâneo, atmosfera,
sufoco e respiração.
Agonia, exaltação!
entranhas e erupação.
É magma, é lava!
É quente, é frio.
É poeira das estrelas,
é profundeza da Terra.
Há tanta gente no Bar ...
Há tanto Bar na gente ! ...


... tenho ido pouco ao Bar.
Cada vez mais, o Bar vem menos a mim
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Poema: O Bar de Ernane Gusmão
Imagem: http://hervethibault.free.fr/galeries/bars/aquarelle_sanguine_bar.jpg